quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Velho Amigo - Gabriel Sena

 
 
 
Estava caminhando quando o vi. Fui até lá para vê-lo melhor e, sim eu estava certo. Assim que nos re-encontramos, comecei a lhe contar como eu estive nesses últimos anos em que não nos vimos.
Nos comunicávamos pelo tato, pois ele era surdo. Não era mudo, ao contrário, tinha uma voz muito bela, que encantava até os reis, capaz de dar capacidade a quem não escuta, capaz de dar motivação a quem está sem motivos.
Então, começamos a cantar em uma harmonia que nunca imaginei, já que não nos víamos a muito tempo.
Assim, a multidão já estava à nossa volta. Estavam encantados, não era para menos, estávamos fazendo mágica com aquelas pessoas. Era tão bonito como nos entrosávamos.
Estávamos orgulhosos e resolvemos nos encontrar mais vezes. Voltamos até a loja onde havíamos nos encontrado. Mostramos nosso talento ao vendedor, que por sua vez também ficou encantado. Nos aplaudiu e elogiou-nos durante vários minutos. Nos pediu para tocarmos de novo, novas melodias saíram dos meus dedos que estavam apoiados no braço do meu parceiro. Paguei ao vendedor da loja, mas ele recusou. Fomos para casa e deixei o meu amigo o mais confortável possível, para depois, tocarmos mais. Meu velho amigo, o violão.
 
 Autor: Gabriel Sena
Salvador - BA

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